Recentemente eu tive a oportunidade de jogar a versão de acesso antecipado de Fatekeeper, um novo RPG de ação em primeira pessoa do estúdio Paraglacial com publicação assinada pela THQ Nordic. A Paraglacial é um estúdio alemão com 13 funcionários.
Em primeiro momento, pensei imediatamente em Skyrim, contudo, ao me aprofundar mais nos sistemas e combate, fica nítido que o game bebe de várias outras fontes para construir uma identidade própria bem forte.
A história de Fatekeeper
É importante mencionar que eu joguei a versão de acesso antecipado de Fatekeeper, logo, apenas uma parte da história encontra-se disponível no momento.
Eu confesso que nesse estado inicial, a história é bem qualquer coisa. O personagem é um druida e está envolvido em um embate de proporções épicas com diferentes facções. O personagem possui um guia espiritual, materializado aqui na forma de um rato, que conta com diálogos com voice over.
É uma história de alta fantasia envolvendo facções, ocultismo, viagem entre fendas dimensionais… o potencial é formidável mas preciso ser honesto e o conteúdo apresentado no acesso antecipado não foi nem de perto o suficiente para me dar uma ideia geral da narrativa. Eu fiquei positivamente surpreso com a existência de diálogos com voz, logo, isso por si só indica que o componente narrativo é um ponto de preocupação para os desenvolvedores.

Combate e progressão
Como mencionei lá em cima, o jogo lembra muito Skyrim, mas com um design de níveis mais compacto. Outra inspiração óbvia, e, na minha opinião, a maior, é o jogo Dark Messiah of Might and Magic. Usar armas brancas e magias fazem parte do loop central dos embates aqui.
O personagem consegue bloquear, correr, pular, desviar e acionar ataques leves e pesados. As animações estão espetaculares, tanto das magias, quanto do desmembramento de inimigos e principalmente a de bloquear os golpes inimigos, contudo, o ritmo me incomodou.
Eu achei ele cadenciado demais, o que removeu um pouco o senso de diversão do game. O swing das armas é bem lento, mesmo as marcadas como rápidas no menu in-game. Isso pode se dar por conta do game design meio pautado na física e realismo. Você sente os golpes e o sentimento de estar golpeando um inimigo com uma espada gigante de duas mãos é real, mas não sei se é exatamente isso que o público de um jogo como esse busca aqui. Se acelerarem só um pouco o combate, vai ficar perfeito.
Outra coisa que me incomodou foi a ausência de suporte à jogatina no controle nesse momento. Irei ficar na torcida para que o suporte chegue em breve ao jogo.
As magias podem ser trocadas rapidamente, o que incentiva a experimentação e elas são surpreendentemente bem interativas no que diz respeito ao ambiente. Podemos lançar uma bola de fogo por exemplo e colocar certos objetos e inimigos em chamas. Alguns puzzles também demandam o uso da magia de telecinese do personagem.
Outro pilar importante do combate é a Alquimia. Podemos craftar poções com diferentes efeitos, chegando até a ter capacidades explosivas. Infelizmente o conteúdo disponibilizado ainda é rudimentar e não foi possível ter um vislumbre do quão vantajoso o sistema pode ser no combate.

A progressão acontece do jeito tradicional de RPGs. Obtemos experiência, principalmente eliminando inimigos, subimos de nível e usamos os pontos de habilidade em uma árvore bemmm extensa que dá indícios dos planos ambiciosos da equipe. Parece que teremos uma opção generosa de builds, contudo, o conteúdo disponível no momento não é longo o suficiente para termos um vislumbre melhor disso. A árvore de habilidades apresenta opções voltadas para as aptidões físicas, mágicas e mais.

Um ponto interessante é que subimos de nível em um ritmo agradável, dando uma sensação bem interessante de evolução constante, algo que eu julgo ser crucial em RPGs.
Otimização
Outro ponto alto de Fatekeeper é a otimização no PC. Eu joguei o acesso antecipado em um Predator Helios 300 com uma RTX 3060 Laptop e fiquei supreso que o jogo rodou de maneira excelente com tudo no Alto/High. Arrisquei a colocar tudo no Ultra e ele também conseguiu rodar, mas com um FPS mais inconstante.
Considerando que o estúdio tem menos de 20 pessoas, o jogo ainda encontra-se em acesso antecipado e apresenta visuais em nível fotorealista, fiquei muito mas muito surpreso com toda a roupagem técnica do jogo. As animações possuem boa qualidade, vegetação, texturas… o trabalho sonoro também é competente.

Claro que vários desses aspectos ainda precisam de polimento, mas, reforçando, essa é apenas a largada da Paraglacial. Eles podem ter uma obra atemporal em mãos. Digo com tranquilidade que Fatekeeper, mesmo em acesso antecipado, foi o jogo mais bonito que joguei em 2026 até o momento.
Preview de Fatekeeper – Vale a pena agora?
A resposta para essa pergunta é sim e não. Acredito que vale a pena adquirir o game agora, aproveitando esse preço super convidativo do acesso antecipado. Contudo, acredito também que ainda não é o momento ideal para jogar ele. Muitos dos sistemas principais ainda estão crus e o game ainda carece de conteúdo substancial para manter o jogador preso por boas horas.
Apesar disso, consigo ver um futuro muito, mas muito promissor caso os desenvolvedores continuem tomando as decisões corretas. Certamente é um jogo que irei acompanhar ainda mais de perto agora!
