Estava muito empolgado para fazer esta review de NBA The Run. Cresci jogando clássicos como NBA Jam, NBA Street e até os dois NBA Playgrounds, títulos que deixavam o realismo de lado para entregar enterradas impossíveis e dribles exagerados.
Lançado em 9 de junho de 2026 pela Play by Play Studios, NBA The Run tenta resgatar justamente essa essência ao colocar estrelas licenciadas da NBA em disputas 3 contra 3 com uma pegada totalmente arcade. Para esta análise, joguei a versão de PlayStation 5, acumulando horas suficientes para explorar seus modos de jogo e mecânicas.
A ideia, no papel, é excelente. Afinal, faz tempo que o mercado não recebe um grande arcade de basquete com jogadores reais da liga americana. Mas será que NBA The Run consegue capturar a mesma magia que transformou tantos clássicos do gênero em jogos inesquecíveis?
Fica comigo nesta review de NBA The Run e saiba se vale a pena dá uma chance ao game.

Diverte, mas falta sal
Como era de se esperar, a jogabilidade é o grande foco de NBA The Run. Afinal, trata-se de um jogo que abre mão de qualquer pretensão de simulação. A proposta é montar seu trio de jogadores e entrar em confrontos online recheados de dribles e jogadas de efeito. E, tecnicamente, o jogo funciona bem.
Os comandos respondem rapidamente e existe uma ótima sensação de controle sobre os atletas. Mesmo sendo uma experiência totalmente online, praticamente não percebi atraso entre o comando executado no controle e a ação realizada dentro da quadra. É um mérito importante da Play by Play Studios e mostra que a base da jogabilidade foi bem construída.
Cada atleta também possui características próprias. Stephen Curry continua sendo uma máquina nas bolas de três, enquanto Victor Wembanyama se destaca pela defesa e proteção de aro. Essa diferenciação incentiva o jogador a montar equipes equilibradas e explorar estilos diferentes de jogo.

O problema é que, apesar da boa base, NBA The Run nunca consegue despertar aquela sensação de espetáculo que marcou os grandes arcades esportivos.
Quando penso em NBA Jam, lembro imediatamente da bola pegando fogo após uma sequência de cestas. Em NBA Street, cada enterrada parecia um evento e cada drible exagerado fazia parte do show. Até mesmo NBA Playgrounds conseguia transformar jogadas simples em momentos memoráveis. Aqui, tudo parece contido demais.
As enterradas existem, os dribles especiais também, mas raramente arrancam um sorriso ou fazem o jogador querer repetir uma jogada apenas porque ela foi divertida de assistir. Falta aquele fator de encantamento que fazia os grandes arcades do passado parecerem imprevisíveis e cheios de personalidade.
É curioso porque a jogabilidade é competente, mas lhe falta justamente aquilo que considero mais importante para um jogo desse gênero: magia.

Pouco conteúdo transforma uma boa ideia em uma experiência repetitiva
Se a jogabilidade mostra potencial, é na quantidade de conteúdo que NBA The Run decepciona de verdade.
O jogo oferece apenas três opções principais: Knockout Squad, onde cada participante controla apenas um atleta em equipes compostas por três jogadores online; Knockout Solo, que permite controlar todo o elenco contra outro jogador; e Knockout Friends, voltado para partidas privadas entre amigos. Vale ressaltar que toda partida é uma mata-mata, ou seja, perdeu é Game Over. E é só.

Não existe modo carreira, torneios offline, desafios individuais ou qualquer experiência contra a inteligência artificial. Todo o conteúdo gira exclusivamente em torno do multiplayer online. Para mim, essa foi facilmente a maior decepção da experiência.
Nem todo mundo possui amigos interessados em jogos de basquete arcade, muito menos dispostos a pagar quase R$ 200 em um lançamento desse nicho. É verdade que existe matchmaking automático, mas quem costuma jogar online sabe muito bem como isso funciona na prática.
Sempre existe alguém que só quer tentar enterradas o tempo inteiro, outro que ignora completamente a defesa e um terceiro que simplesmente abandona a estratégia coletiva.

Em uma das campanhas que disputei, acabei passando praticamente toda a partida defendendo sozinho enquanto meus companheiros permaneciam no ataque. Conseguimos vencer o torneio, mas muito mais por sorte do que por trabalho em equipe. Essa dependência absoluta do multiplayer limita bastante o potencial do jogo.
Cada partida possui um jeito diferente de vencer
Nem tudo, porém, é negativo. Uma das mecânicas mais interessantes está nas diferentes regras de cada confronto. Em algumas partidas, vence quem alcançar primeiro 21 pontos. Em outras, enterradas passam a valer mais do que arremessos de longa distância, mudando completamente a estratégia e obrigando o jogador a repensar a composição do seu elenco.
Gostei bastante dessa proposta porque ela adiciona variedade às disputas e impede que todas as partidas pareçam iguais. O detalhe é que o jogo não informa previamente qual será a condição de vitória, criando um elemento surpresa que torna cada confronto um pouco diferente.

Infelizmente, essa criatividade não é acompanhada por um sistema de progressão igualmente interessante. Ao vencer partidas, o jogador recebe experiência e moedas para gastar na loja, mas quase todas as recompensas são cosméticas, como uniformes, banners, emotes e algumas animações extras.
Depois de poucas horas, a sensação é de estar repetindo as mesmas partidas apenas para desbloquear novos itens visuais, sem qualquer sensação real de evolução.
Também senti pouca diferença no controle entre atletas de estilos completamente distintos. Jogadores rápidos, como LaMelo Ball, e atletas mais físicos, como LeBron James, acabam transmitindo sensações muito parecidas durante a movimentação.
Visual agradável e bom desempenho
Visualmente, NBA The Run entrega um trabalho competente. O estilo artístico aposta em personagens estilizados, com traços que lembram cel shading, enquanto os principais atletas da NBA são facilmente reconhecíveis graças ao bom trabalho de modelagem. As quadras também apresentam boa variedade visual, especialmente nos confrontos finais, onde iluminação e efeitos tornam o ambiente mais chamativo.
Ainda assim, nada impressiona tecnicamente. É um jogo bonito, mas que dificilmente ficará marcado pelo seu aspecto visual.

A narração também acabou me incomodando em diversos momentos. O narrador participa praticamente o tempo inteiro da partida e, para meu gosto, fala mais do que deveria. É uma questão bastante pessoal, mas senti falta de deixar o jogo respirar um pouco mais durante os confrontos.
Pelo menos no aspecto técnico não tenho reclamações. Durante toda a análise no PlayStation 5 não encontrei bugs relevantes nem problemas de desempenho, enquanto o matchmaking encontrou partidas rapidamente na maior parte do tempo.
Review de NBA The Run – Vale a Pena?
Termino esta review de NBA The Run dizendo que ele tinha potencial para resgatar um estilo de jogo que faz falta no mercado atual. Sua proposta arcade é interessante, os controles funcionam bem e existem boas ideias espalhadas pela experiência. O problema é que tudo parece incompleto.
A ausência de modos offline e uma progressão baseada quase exclusivamente em cosméticos fazem com que o entusiasmo desapareça rapidamente. Soma-se a isso uma jogabilidade que, apesar de competente, nunca alcança o espetáculo de clássicos como NBA Jam e NBA Street.
Hoje, eu só recomendaria NBA The Run para quem é extremamente fã da NBA e possui um grupo de amigos disposto a jogar regularmente. Para quem pretende aproveitar sozinho ou busca um arcade capaz de prender por dezenas de horas, a experiência acaba se tornando repetitiva muito cedo.
Por R$ 169,90 na edição Standard e R$ 229,90 na Deluxe Edition, o investimento não parece justificável neste momento. Talvez futuras atualizações adicionem modos de jogo e mais conteúdo, permitindo que o título alcance o potencial que sua proposta sugere. Mas, por enquanto, NBA The Run diverte por algumas horas e pouco depois acaba esquecido na biblioteca.
Curtiu esta review de NBA The Run? Fica com algumas previews que o nosso time produziu na Summer Game Fest:
NBA The Run acerta ao entregar uma jogabilidade rápida e uma proposta que lembra os grandes arcades de basquete do passado. O problema é que a experiência para por aí. A falta de modos offline, a escassez de conteúdo e uma progressão pouco recompensadora fazem com que o jogo perca o fôlego rapidamente, especialmente para quem pretende jogar sozinho.
Uma bela ponte aérea
- Jogabilidade fluida e controles bastante responsivos
- Jogadores licenciados da NBA, cada um com atributos próprios
- Regras diferentes entre as partidas
- Desempenho sólido, sem bugs ou problemas técnicos
Errou o aro
- Falta o carisma e a "magia" dos grandes arcades de basquete
- Quantidade de conteúdo é muito limitada
- Ausência de modos offline ou PvE
- Sistema de progressão baseado quase apenas em itens cosméticos
- Diferenças entre alguns atletas poderiam ser mais perceptíveis na jogabilidade
- Visuais
- Jogabilidade
- Desempenho
- Som
- Fator replay/Conteúdo
