Membros da comunidade PlayStation nas redes sociais estão convocando os jogadores do mundo inteiro para um boicote de compras e jogatina. A ideia, originalmente publicada pela conta do X @DoesItPlay, pede para os jogadores não jogarem e nem comprarem nada entre os dias 23 até 30 de agosto.
Contudo, a adesão ao boicote precisa enfrentar duas pedras gigantescas no caminho: o lançamento do terceiro jogo da franquia A Plague Tale (confira nosso preview aqui) e a realização da fase beta de Call of Duty: Modern Warfare 4, o segundo maior lançamento de 2026.
Confira meu vídeo que comento sobre o tema com várias informações, como custo de mídia física, disparidade de lucro entre os dois formatos, possíveis consequências para o PS6, a importância dos discos no Brasil e mais:
Os obstáculos que o movimento enfrenta:
- Conveniência vs. Protesto: O comportamento do consumidor moderno é fortemente guiado pela comodidade do digital. Além disso, o período do boicote coincide com o lançamento de grandes títulos e a beta de Call of Duty: Modern Warfare 4, o que dificulta a adesão em massa.
- Interesses das Publishers: As grandes publishers (como EA e Ubisoft) provavelmente veem com bons olhos a transição para o digital. O lucro por unidade vendida na loja virtual é quase o dobro do obtido através da mídia física, tornando o suporte a essa transição uma estratégia de negócio lucrativa.
- Engajamento Digital: A agressividade nas redes sociais muitas vezes impulsiona o algoritmo, gerando engajamento para a marca e favorecendo a visibilidade da própria PlayStation em vez de prejudicá-la.
O comportamento real do consumidor:
Embora a insatisfação com a exclusão dos discos seja legítima, especialmente considerando o custo dos jogos no Brasil, a empresa está tecnicamente amparada por dados fiscais que apontam para uma adoção massiva do digital.
A Capcom publicou hoje o seu relatório do último trimestre e, para a surpresa de ninguém, a venda de jogos digitais ficou acima dos 93%. Considerando apenas as vendas de console, a porcentagem foi de 83,3%.
A PlayStation pode voltar atrás?
Na minha visão, só existe um caminho da PlayStation voltar atrás – através da força judicial. A menos que algum órgão federal obrigue a companhia a continuar fabricando os discos, é um trem que já partiu da estação. Desde o anúncio do fim dos discos (feito em 1 de julho), as ações da Sony já valorizaram impressionantes 11%.
Caso a companhia voltasse atrás, certamente o mercado não ia reagir nada bem, afinal, a porcentagem de lucro com mídia digital é bem maior, impactando positivamente no balanço fiscal da companhia. Em suma, é melhor já ir se acostumando com a ideia de que a partir de 2028, os discos deixarão de ser fabricados.
Até lá, você pode aproveitar os próximos lançamentos no formato físico. Jogos aguardados como Marvel’s Wolverine e God of War Laufey ainda contarão com a versão física.
