Não foi dessa vez que Sonic passou o ano em branco. O ouriço mais querido de todo o planeta tá de volta, mas de uma forma que nem o fã mais criativo imaginava: nada de Green Hill, Seaside Hill, Snow Mountain, Temple ou o que for; e sim um cenário totalmente novo, quase monocromático e cheio de plot twists.
Sonic Pico Park foi anunciado durante o Summer Game Fest, e neste Play Days pudemos experimentar toda a insanidade dessa colaboração inesperada. O resultado? Algo extremamente bobo, mas capaz de arrancar as risadas mais honestas que pude dar nas últimas semanas.
O título é totalmente inspirado na popular franquia de party game Pico Park e funciona exatamente dentro desse universo, mas sob uma reskin da série da SEGA. E não apenas isso: mas com todo o carisma, as ações e o design que marcaram gerações de fãs que se estendem desde o início dos anos 1990.
Como é bom ver algo divertido
Por cerca de 20 minutos, pude conhecer muita coisa sobre Sonic Pico Park. O modelo de gameplay é bastante familiar pra quem joga Pico Park, como também pra quem está acostumado com títulos mais simples baseados em fases.
Ao todo, quatro personagens de Sonic tão disponíveis pra seleção: Sonic, Tails, Amy e Knuckles. Seus objetivos são chegar até o fim da fase e hastear a famosa bandeira, usando artifícios e trabalhando juntos pra sobreviver a alguns desafios inesperados.

O game é totalmente cooperativo, mas sua proposta de party game deixa tudo muito menos frustrante e mais agradável. Isso também ocorre porque as fases são muito curtas, durando até 30 segundos em alguns casos (mas há chances disso acontecer apenas nesses estágios iniciais).
O mais legal é que nem de longe Sonic Pico Park consegue ser frustrante. Os tempos de carregamento também são bem velozes, e perder uma vida sequer exige tempo pra que você se sinta estressado ou decepcionado. E como se não bastasse, o “carrinho bate-bate” que os jogadores criam é simplesmente hilário.

Vale pontuar que o jogo não possui uma campanha em si: apenas um nível de progressão baseado em fases quase em um estilo mobile. Mas nem de longe ele é tão simples quanto esse breve parágrafo sugere.
Fogo amigo
Sonic Pico Park tem um sistema de colisão completa onde a cooperação pode virar um verdadeiro show de horrores. Ou seria um show de “videocassetadas”? Provavelmente a segunda opção. Enquanto você tenta saltar, um dos jogadores pode te empurrar sem querer, atrasar seus movimentos ou simplesmente acabar com sua única vida.
Isso ocorre porque o jogo tem um leve sistema de física. A precisão mais acessível no game torna as ações mais previsíveis, mas não menos desastrosas. É possível saltar na cabeça dos amigos pra criar muros ou escadas, correr em grupo pra destruir paredes coletivas (que exigem todos os jogadores em um certo ponto de interesse) e mais.

Outra questão diz respeito às mecânicas de Sonic em Sonic Pico Park. Correr demais faz os personagens girarem assim como ocorre nos games da SEGA, enquanto há o tradicional comando de carregar velocidade e soltar o botão pra disparar na direção que você preferir.
Joguei com Tails durante a DEMO e me supreendi, especialmente, com sua habilidade de voar. Knuckles consegue planar, mais Tails tem um melhor controle de voo, podendo até mesmo carregar todos os amigos pra atravessar distâncias maiores onde não há um solo pra pisar. E a animação de esforço é muito engraçada mesmo.

Com tudo isso, o jogo deixa de ser apenas um party game pra seguir em frente e se torna um playground que premia a criatividade e o raciocínio. Há muita tentativa e erro, mas encontrar as soluções pra avançar pra próxima fase é muito legal e satisfatório. No fim das contas, todos devem se ajudar, apesar do fogo amigo.
Mas se você quiser só atrapalhar a vida dos amigos e fazer um escarcéu, vale de toda forma.

O sistema de vida em Sonic Pico Park também é bem interessante. Um anel te garante sobreviver a uma queda ou a qualquer outro evento, mas ser “atacado” por um amigo te faz perder o ring e transferi-lo pro colega. Então, caso você tenha vidas extras, lembre que elas são compartilhadas. É preciso ter cuidado dobrado.
Sonic Pico Park deixa um gostinho do que tá por vir
A DEMO foi curta, mas nas fases finais descobrimos que Sonic Pico Park ainda tem muito a oferecer. Em uma delas, os personagens começaram atados a uma corda e se movimentavam apenas juntos. Impulsionando o da frente, era possível fazê-lo alcançar distâncias maiores, mas o de trás deveria ficar bem recuado pra garantir que os outros tivesse suporte adequado em terra.
Nesse estágio, foi preciso trabalhar junto pra alcançar uma chave impossível de ser coletada por meio de um único salto ou sprint. E não apenas isso, mas como em outro nível, por exemplo, dois personagens tinham que criar uma parede pra que o outro corresse por eles e saltasse pra outra parede do cenário, tudo no melhor estilo metroidvania.

Também há diversos pontos de interação no mapa, como botões que abrem portas, pontes destrutivas, meios de transporte e mais. Tudo com o objetivo de estimular o pensamento analítico e a dar ideias pra que os jogadores reflitam sobre seus próximos passos.
Além disso, Sonic Pico Park conta com suporte multiplayer pra até oito personagens tanto em modalidade online quanto local. Localmente, falando de forma mais prática (pois foi como testei), a experiência foi absurda, mas muito disso graças à equipe da Tecopark, que deixou os momentos de jogabilidade muito mais leves.
Óbvio que o gameplay foi bem curto e direto, então fica a impressão de que precisava de mais pra convencer. Porém, há um potencial absurdo pra que o game se torne um grande party game, tanto por oferecer o que a comunidade do gênero curte (algo bobo, atrapalhado e muito engraçado), quanto uma renovação interessante na franquia Sonic.