No setor da Annapurna Interactive, tivemos a chance de conhecer um de seus games que tá agendado pra fevereiro de 2027: Demi and the Fractured Dream. Por cerca de 20 minutos, jogamos essa aventura desenvolvida pela Yarn Owl Studios e conhecemos um pouco mais do que o projeto tem a oferecer.
Com inspirações em The Legend of Zelda, o título traz sistemas de combate simples, mas consistentes, e ferramentas de quebra-cabeças que se provaram interessante como uma quebra de ritmo da ação. Porém, a impressão deixada pelo game ainda foi muito simples; mas talvez uma versão mais completa consiga convencer de que temos algo realmente forte.
Demi and the Fractured Dream conta uma história mágica no reino de Somnus, onde Demi deve seguir ordens de uma voz misteriosa pra destruir seres conhecidos como Bestas Malditas. Como você vai fazer isso? Bom… Usando algumas ações bem familiares pra quem tá acostumado com RPGs de ação e até mesmo os soulslike.
Fácil de entender e de jogar
A DEMO do Summer Game Fest funcionava como um tutorial, mas dando uma certa liberdade pra que os jogadores explorassem. Nos primeiros minutos, há o tradicional sparring contra um monstro incapacitado pra que possamos entender as mecânicas de combate, e basicamente elas são bem simples.
Demi usa uma espada pra atacar, podendo executar ações aéreas ou um dash seguido de um golpe. Enquanto isso, ele trava a mira nos inimigos, se esquiva para qualquer direção e salta; tudo de forma bastante intuitiva e familiar pra quem tá acostumado a games do gênero.

A novidade em Demi and the Fractured Dream fica por conta dos poderes do Vazio. Narrativamente, ele se trata de uma essência que consome a vida do protagonista, mas mecanicamente é uma habilidade única baseada em um medidor localizado no canto superior esquerdo da interface.
Pra encher, é preciso atacar os monstros sem parar. Além disso, esquivar de golpes no último instante gera uma animação que faz a barra crescer mais rápido. Depois disso, é possível escolher um poder na roda de skills pra usar e causar mais problemas pros monstros. No geral, é tudo bem simples no sentido de combate.

Mesmo contra hordas maiores de inimigos as coisas não são complicadas. Eles praticamente não oferecem resistência e caem com poucos golpes. Enquanto isso, outro tipo de criatura, dessa vez uma voadora, usa um raio laser lento e telegrafado como ataque principal, mas precisa de apenas um golpe pra ser derrotada.
A DEMO de Demi and the Fractured Dream encerra com uma luta contra chefe, agora no melhor estilo Dark Souls. Mas não espere nada demais: ele é grande, mas bem fraco. Seus ataques rápidos são fáceis de pegar o timing, enquanto o golpe mais poderoso, também um feixe de raio laser, é telegrafado. Há como ganhar rapidamente sem sofrer qualquer tipo de dano.
Plataformas e quebra-cabeças
Quando falamos de plataformas, Demi and the Fractured Dream traz várias semelhanças aos Zelda em 3D. Os mapas têm um bom nível de detalhe, com os templos cheios de estruturas, setores verticais e horizontais, segredos e recompensas.
Pra explorar, o protagonista usa uma pena gigante que permite empurrar objetos com certa facilidade, desde grandes blocos de pedra até pequenas ilhas flutuantes. Os poucos puzzles dessa DEMO foram até que desafiadores, mas nada que uma observação mais apurada não resolvesse.

Achei interessante a exploração e o senso de recompensa. Os caminhos alternativos possuem XP e mais recursos, permitindo que você evolua Demi por meio de uma árvore de progressão cheia de opções de mais dano, mais vida, mais velocidade de ataque e outros atributos.
Além disso, Demi and the Fractured Dream sugere uma aposta em backtracking, com portas fechadas que precisam ter suas respectivas chaves encontradas. Como a DEMO foi curta, não conseguimos observar o quão profundo esse sistema é: se as coisas estão apenas na próxima sala ou em locais mais distantes.
Demi and the Fractured Dream cativa, mas precisa de mais identidade
Sempre é difícil, e até mesmo desrespeitoso, tirar uma conclusão depois de jogar algo por pouquíssimos minutos. A impressão deixada por Demi and the Fractured Dream foi, em sua maior parte, positiva, mas também fica no ar a ideia de um grande reaproveitamento de elementos de outros games.
Por exemplo, há fragmentos de rochas que funcionam como estações de save. Ao interagir com elas, seu HP é totalmente recuperado, mas os monstros derrotados também. Então, temos aí uma referência bem clara ao que a FromSoftware criou pros seus jogos. Já o design de Demi lembra um pouco o de Link, apesar da pegada mais sombria e também mais característica com a identidade visual de Somnia.

No geral, o game deixou a impressão de ser algo bom pra quem gosta de experiências acessíveis, mas desafiadoras dentro de suas próprias circunstâncias. Além disso, temos que assumir que não é preciso um jogo reinventar a roda sempre pra que faça sucesso, pois isso é tecnicamente impossível nos tempos de hoje.
Vamos esperar os próximos capítulos.