Anunciado pela primeira vez em 2022, Mouse: P.I. For Hire é o tipo de jogo que chama atenção de imediato e já entrega que o jogo seria um verdadeiro sucesso. Não só pelo visual inspirado no estilo clássico “Rubber Hose”, marcante na animação americana, mas também pelo seu combate diferenciado, que mistura um FPS frenético com elementos em 2.5D.
Como era de se esperar, Mouse seria comparado com Cuphead pelo estilo artístico, porém, com uma identidade própria, com um universo único e uma experiência diferente de tudo aquilo que já estamos acostumados.
À primeira vista, Mouse parece um desenho dos anos 30 que eu encontrei perdido em um sótão qualquer. Mas bastam apenas alguns minutos com a arma nas mãos para entender que Jack Pepper não é o Mickey Mouse, mas sim um investigador pronto para eliminar a corrupção a todo custo.
É um misto de nostalgia com uma das melhores experiências que tive nos games em 2026 até agora, se tornando com folga meu jogo favorito do ano. Mesmo com o ano apenas começando, esse é aquele tipo de experiência que fica marcada pra sempre.
Depois de passar mais de 30 horas no controle do detetive Jack Pepper, a pergunta que fica é: Mouse: P.I. For Hire é apenas um jogo bonito com filtro de 1930 ou ele realmente tem a essência para prender o jogador? É isso que você irá descobrir em nossa Review!
Uma investigação em um mundo de Corrupção
Pronto para encarar a corrupção dos anos 30, Jack Pepper, um rato e ex-herói de guerra, se torna detetive após um desaparecimento misterioso, que rapidamente evolui para um caso envolvendo assassinato e corrupção em Ratópolis. Mesmo diante dos perigos impostos pela máfia e por policiais corruptos, ele decide se infiltrar em delegacias, portos e até nas ruas dominadas pelo crime.
Um dos grandes destaques perceptíveis já nos primeiros minutos de gameplay é a variedade de armas, combinada com elementos de metroidvania, segredos espalhados pelos cenários e missões secundárias liberadas ao chegar à base de investigações de Jack. O local funciona como um hub, onde é possível organizar as provas coletadas, participar de mini-games de beisebol com cartas, que rendem moedas para desbloquear um item secreto, além de comprar colecionáveis e muito mais. Essas evidências também destravam novas missões, armas e itens.
Mesmo com uma progressão linear, Mouse incentiva a exploração ao esconder áreas secretas que podem ser acessadas com habilidades como pulo duplo, gancho e até o uso do rabo do protagonista, que funciona como uma hélice para flutuar.

Mesmo com uma narrativa presente, fica evidente que o foco principal de Mouse: P.I. For Hire está no combate. A grande quantidade de inimigos em tela cria uma sensação de dificuldade, lembrando a pegada frenética de jogos como Doom. E não se deixe enganar pelo visual: o ritmo é acelerado e pode se tornar bastante desafiador, dependendo da dificuldade escolhida ao longo da campanha.
Ainda assim, a experiência não se torna cansativa ou repetitiva, já que o jogo se renova constantemente com a introdução de novas armas, chefes e missões.
O jogo apresenta personagens cativantes que dão vida à história e garantem que o conteúdo secundário seja tudo, menos entediante. Eles servem como peças-chave para os mistérios do enredo, destacando-se por sua personalidade marcante e piadas fora de hora com um humor ácido.
Apesar de complementarem a trama e manterem o jogador focado, essas atividades pecam pela falta de inovação, limitando-se a tarefas repetitivas de busca, coleta ou entrega de itens.

Como destacado, embora a narrativa não seja o foco central, o título brilha ao investir em mecânicas de combate e exploração. Além disso, os colecionáveis espalhados pelo mapa desempenham um papel fundamental ao tentar aprofundar o enredo.
Um FPS caótico e viciante
Se há algo que Mouse: P.I. For Hire entrega com maestria, é um combate caótico e frenético. Com hordas de inimigos, chefes imponentes e um arsenal variado que vai de pistolas a bazucas, a ação é constante. No mapa, os jogadores podem liberar itens semelhantes a pergaminhos que permitem aprimorar o armamento, aumentando a cadência de tiro, o dano e a capacidade do pente, além de desbloquear habilidades especiais.
Os pergaminhos de upgrade nem sempre estão à vista, exigindo que o jogador explore o mapa com cautela em busca de áreas secretas e resolva puzzles para abrir cofres, que podem emperrar permanentemente caso ocorra um erro. Essa dinâmica torna o jogo mais desafiador para aprimorar o vasto arsenal com mais de 10 armas.

Embora Jack possa recorrer a socos e pontapés, o combate corpo a corpo é visivelmente menos eficaz que o armamento do detetive. O combate também vai muito além de armas, explorando os objetos de cenário: é possível chutar barris, detonar galões de fogo ou gelo e derrubar objetos suspensos para esmagar os adversários.
Estrategicamente, usar o ambiente a seu favor funciona melhor, mas o título peca por não permitir um estilo de jogo stealth. Em níveis de dificuldade elevados, onde cada bala conta, a furtividade seria essencial para escapar. Como o combate é “pé no chão”, habilidades como a esquiva tornam-se essenciais para escapar das balas e compensar a falta de recursos.
O design de inimigos e chefes é um dos pontos altos na gameplay. A cada nova área, somos apresentados a adversários com movesets diferentes, que alternam entre o poder de fogo e o combate corpo a corpo. A galeria de chefes é gigante e memorável, com destaque especial para o trecho da delegacia, que funciona como uma excelente homenagem à franquia Resident Evil.

Em Mouse, não basta só sair atirando, o segredo é saber usar o cenário a seu favor e economizar bala, tudo isso sem parar de se mexer nem por um segundo. P.I. For Hire vai muito além do visual de desenho antigo, o que atrai mesmo é esse combate ágil que não deixa o ritmo cair!
Um misto entre erros e acertos
Depois de exaltar tantas qualidades, é preciso pontuar onde Mouse: P.I. For Hire escorrega, já que nenhum jogo é perfeito. Embora seja meu favorito de 2026 até agora, ele peca na falta de conteúdo pós-campanha. O combate frenético até convida a jogar de novo, mas a ausência de modos extras, como um sistema de hordas ao estilo Call of Duty: Zombies, pode afastar quem busca fator replay.
Além disso, a narrativa por vezes parece apenas um pretexto para avançar de fase. Veja bem… ela não é ruim, mas falta a imersão que os ótimos personagens secundários do jogo oferecem.
O mini-game de beisebol até diverte nos primeiros minutos, mas rapidamente se torna cansativo. Falta variedade e novas mecânicas ao longo do tempo, o que faz com que a experiência fique repetitiva, especialmente ao exigir 35 partidas para liberar recompensas. Além disso, não há opção de acelerar as partidas, mantendo sempre o mesmo ritmo contra uma CPU bastante fácil de vencer.

Na parte técnico, mesmo rodando em hardware como uma RTX 5090 e o Legion GO 2, notei pequenos engasgos em trechos com spawns de muitos inimigos. Embora sejam falhas pontuais e raras, é um detalhe que não poderia passar batido nesta análise.
Aspectos técnicos
Se tem algo que surpreende em Mouse: P.I. For Hire, é sem sombra de dúvidas os gráficos e o estilo artístico optado pelo estúdio para tornar o jogo um verdadeiro noir clássico dos anos 30. A escolha pelo estilo ‘rubber hose’ não é apenas algo estético, ela cria um contraste absurdo entre o velho e o novo. É como se estivéssemos jogando um curta perdido da era de ouro da animação, mas com uma metralhadora na mão.
Mais do que um “rostinho bonito”, o jogo brilha na construção dos cenários. O level design é surpreendente, recheado de rotas alternativas e colecionáveis que se camuflam na própria arquitetura do mapa. É o tipo de jogo que exige atenção: se você correr demais e explorar pouco, perde os detalhes que realmente trazem a atmosfera dos anos 30 e os segredos presentes em cofres e portas secretas para o 100% do game.

O visual te atrai, mas o level design te prende. O mapa é um labirinto de segredos que recompensa o jogador, escondendo detalhes da história em áreas que muitos deixariam passar batido. Dá para sentir que cada canto foi pensado para reforçar essa ambientação de época, transformando a exploração em algo tão divertido quanto o combate em si.
O design de som brilha ao usar o jazz e a música clássica dos anos 30 para elevar a imersão. Cada detalhe foi planejado, desde o ruído das armas até os filtros sonoros que trazem variação à trilha sem cansar o jogador, mantendo o estilo impecável ao longo das cerca de 20 horas de campanha.
Review de Mouse: P.I. For Hire – Vale a Pena?
Mouse: P.I. For Hire sempre exalou brilho, desde o anúncio que paralisou a internet com seu visual único. Testá-lo agora, perto do lançamento, só confirmou minhas expectativas: é, sem dúvidas, um forte candidato a Jogo do Ano e um dos títulos mais divertidos de 2026! Com combate frenético e um mundo repleto de segredos, o jogo é ousado e viciante.
Mesmo com deslizes técnicos e uma trama simples, ele entrega o que o mercado atual raramente oferece: uma experiência inovadora e puramente divertida. É uma verdadeira carta de amor aos fãs do gênero.
Não restam dúvidas, esse é um jogo obrigatório para todos!
Esta review foi produzida graças a um código de PC cedido gentilmente pela Fumi Games.
Sem receio de ousar, Mouse: P.I. For Hire resgata a essência do clássico noir em uma jogabilidade imersiva e eletrizante. Embora apresente falhas pontuais de desempenho e roteiro, o título se destaca pela originalidade visual e mecânica, consolidando-se como uma experiência indispensável e única no mercado de games. Uma verdadeira carta de amor aos fãs!
Pontos Positivos
- Level Design criativo
- Missões secundárias divertidas
- Visuais únicos
- Exploração recompensadora
Pontos Negativos
- Pequenos engasgos
- Falta de variedade em conteúdos secundários
- Narrativa poderia ser melhor explorada
- Narrativa
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de Arte
- Som
