Quando se fala na fase grega de God of War, quase tudo é associado à fúria de Kratos e à queda do Olimpo, no entanto, parte dessa trajetória começa muito antes da guerra contra Zeus, e passa diretamente por Deimos. Entender quem ele foi ajuda a compreender decisões que Kratos tomaria anos depois.
Da mitologia à adaptação
Na mitologia grega, Deimos era a personificação do terror, filho de Ares e Afrodite e irmão gêmeo de Fobos. Ele não protagonizava grandes narrativas porque sua existência era simbólica. A franquia reaproveita o nome, mas transforma completamente o personagem ao inseri-lo como peça central do passado de Kratos.
Em God of War, Deimos é o segundo filho de Zeus com Calisto, nascido alguns anos após Kratos. A partir daí, deixa de ser conceito e passa a ser parte ativa da tragédia que molda o Fantasma de Esparta.
Infância em Esparta
Criados sob o rígido treinamento espartano, os dois irmãos cresceram aprendendo que fraqueza não era tolerada. Ainda crianças, treinavam com lança e escudo enquanto repetiam o lema que marcaria suas vidas: um espartano nunca deixa suas costas tocarem o chão.

Deimos era mais novo e via em Kratos um exemplo a ser seguido, por isso treinava com dedicação para alcançar o nível do irmão. Havia respeito entre os dois, mas também uma diferença que não passava despercebida: Deimos carregava uma marca de nascença que atravessava seu corpo, algo incomum o bastante para chamar a atenção dos deuses.
O recente lançamento de God of War: Sons of Sparta, em 12 de fevereiro de 2026, aprofunda justamente esse período da vida dos dois. Ambientado durante a Agoge espartana, o jogo mostra Kratos ainda jovem, antes de se tornar general ou servo dos deuses, já assumindo uma postura protetora em relação a Deimos.
Mesmo inserido na brutalidade do treinamento, ele demonstra preocupação constante com o irmão mais novo, orientando, cobrando e, ao mesmo tempo, garantindo que ele sobreviva às provas impostas por Esparta.

Essa dinâmica revela que o instinto de proteger alguém mais jovem não nasce na saga nórdica, afinal ele já existia ali. Anos depois, na relação com Atreus, é possível perceber a força que isso tem sobre Kratos, a dificuldade em demonstrar afeto, o ensino duro, mas sempre acompanhado de vigilância e cuidado.
A profecia e o sequestro
Um antigo oráculo havia previsto que um “guerreiro marcado” destruiria os deuses do Olimpo. A marca de Deimos foi suficiente para gerar medo em Zeus, que decidiu agir antes que a profecia pudesse se cumprir. Para isso, enviou Ares e Athena até Esparta.

No ataque que se seguiu, centauros devastaram a região enquanto os deuses procuravam o alvo. Encontraram Deimos treinando com Kratos, que tentou impedir a captura mesmo sendo apenas uma criança. Ares o derrotou com facilidade e deixou a cicatriz que marcaria seu rosto para sempre; só não o matou porque Atena considerou que o objetivo já havia sido alcançado.
Deimos foi levado ao domínio de Thanatos, onde permaneceria sob tormento constante. Para Kratos, naquele momento, o irmão estava morto.
Anos no Domínio da Morte

Enquanto Kratos crescia, tornava-se general e mais tarde vendia sua alma a Ares, Deimos permanecia preso. No início, acreditava que seria resgatado, mas o tempo corroeu essa esperança até a transformar em ressentimento.
Kratos só descobre que o irmão está vivo durante os eventos de God of War: Ghost of Sparta, quando já havia assumido o posto de Deus da Guerra.
O reencontro

Ao libertar Deimos no Templo de Thanatos, Kratos não encontra o irmão que lembrava da infância, e sim alguém marcado por anos de sofrimento. O primeiro impulso de Deimos é atacá-lo, acusando-o de tê-lo abandonado. A luta entre os dois revela não apenas força física, mas anos de mágoa acumulada.
Você achou que eu esqueceria? Achou que eu perdoaria? Eu nunca vou te perdoar, irmão!
Deimos ao reencontrar Kratos
O confronto é interrompido quando Thanatos retorna e arrasta Deimos até os Penhascos do Suicídio. Kratos o segue, e ali os dois finalmente lutam juntos, como irmãos, contra o mesmo inimigo.

Durante a batalha, Thanatos provoca Kratos ao dizer que Ares havia escolhido o irmão errado e que nada do que ele fizera fora fruto de escolha própria, mas resultado de manipulações divinas. Kratos responde afirmando que ninguém decide seu destino, uma declaração que antecipa a ruptura definitiva com o Olimpo.
A morte de Deimos
Quando Thanatos assume sua forma monstruosa, consegue agarrar Deimos e arremessá-lo contra a encosta de um penhasco, matando-o diante de Kratos. A derrota do Deus da Morte vem logo depois, mas não altera o resultado.
Kratos carrega o corpo do irmão até o topo dos Penhascos do Suicídio e o enterra ao lado da mãe. Ao declarar que Deimos está livre, deixa claro que o ciclo de submissão aos deuses chegou ao limite.

Quando Athena oferece a imortalidade completa, Kratos recusa. A proposta de ascensão já não significa honra, e sim cumplicidade com aqueles que destruíram sua família. Anos mais tarde, em God of War III, ele cumpre a promessa de fazê-los pagar.
A presença de Deimos após a morte
Mesmo ausente fisicamente, Deimos continua influenciando a narrativa. Em God of War III, Zeus menciona que Gaia deveria ter escolhido “o outro”, uma referência direta a ele. Na psique de Kratos, sua voz reaparece lembrando o lema espartano.
“Freya: Você tem um irmão?”
Kratos sobre Deimos em God of War; Ragnarok
“Kratos: O nome dele era Deimos. Quando éramos meninos, ele foi levado por dois deuses obcecados por profecias. Os deuses da minha terra natal raramente deixavam sobreviventes, então, quando descobri que ele estava vivo, já era tarde demais para fazer as pazes. A raiva o envenenou contra mim. Mas eu nunca deixei de amar meu irmão.”
Em God of War Ragnarök, Kratos finalmente fala sobre o irmão com franqueza ao conversar com Freya. Ele admite que nunca deixou de amá-lo e reconhece que se sentia indigno de pedir perdão por não tê-lo salvado a tempo. Esse reconhecimento revela uma camada mais contida do personagem, distante da imagem puramente irada que marcou a fase grega.
Personalidade e legado

Antes do cativeiro, Deimos demonstrava respeito e lealdade ao irmão mais velho. Após anos sob tortura, tornou-se mais agressivo, mas ainda assim foi capaz de lutar ao lado de Kratos quando a situação exigiu. Como semideus, possuía força e resistência acima do comum, enfrentou o próprio irmão em combate direto e contribuiu de maneira decisiva na batalha contra Thanatos.
Há um detalhe simbólico que reforça sua importância: a tatuagem vermelha de Kratos é uma réplica da marca de nascença de Deimos. Mais do que estética, ela é uma memória permanente.
Deimos foi o único parente próximo que Kratos não matou. Sua morte não foi por erro, manipulação ou engano do próprio Fantasma de Esparta, mas pelo medo dos deuses diante de uma profecia.
Sem Deimos, a história de Kratos não seria a mesma. A cicatriz, a desconfiança, a promessa de vingança e até como ele encara família em fases posteriores passam por esse capítulo. Ele não derrubou o Olimpo, mas ajudou a moldar o Kratos como ele é hoje.
Algumas curiosidades sobre Deimos
- Em God of War III, Deimos teve participação vocal especial de Elijah Wood, que interpretou a voz ouvida na poça de sangue. No entanto, nos créditos oficiais do jogo, quem aparece como dublador de Deimos é Josh Keaton, provavelmente por conta do traje alternativo do personagem ligado ao lançamento de Ghost of Sparta.
- A aparência de Deimos em God of War: Ghost of Sparta lembrava bastante o visual do rei Leônidas interpretado por Gerard Butler no filme 300.
- A tatuagem vermelha de Kratos é uma réplica exata da marca de nascença de Deimos
- Como segundo filho de Calisto, fica implícito que Zeus teve mais de um encontro com ela.
- Existiram dois trajes bônus de Deimos: um em Ghost of Sparta e outro em God of War III.
- No primeiro God of War, havia um vídeo desbloqueável chamado O Nascimento da Besta, onde o irmão de Kratos era mencionado pela primeira vez. Porém, os eventos posteriores de Ghost of Sparta indicam que aquele material não é considerado canônico.
- Deimos apareceu como traje alternativo para Kratos em PlayStation All-Stars Battle Royale, mediante conteúdo adicional.
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Fontes: God of War Fandom, God of War Wiki, Sidão dos Games, Meu PlayStation
