Grime 2 chega em um momento em que os metroidvanias voltaram a ganhar espaço, principalmente com jogos que tentam equilibrar exploração e combate, por isso, fiquei tão empolgado para produzir esta review. Já que amo o estilo e sempre fico curioso para saber quais novidades serão implementadas.
A sequência temática do primeiro Grime (2021) desenvolvida pela Clover Bite e publicada pela Kwalee amplia ideias do primeiro jogo e traz sistemas próprios para se destacar dentro do gênero.
Depois de cerca de 20 horas de gameplay para a produção desta review de Grime 2, dá pra perceber que o game tem identidade. Ele não tenta ser apenas mais um metroidvania, mas também não escapa de alguns problemas que acabam impactando a experiência, principalmente no equilíbrio.
Quer saber tudo o que o título têm para oferecer?! Fica comigo nesta review de Grime 2:

Uma narrativa que se constrói aos poucos
A história segue um caminho semelhante ao que já vimos no primeiro jogo. Você controla uma criatura sem forma, capaz de absorver outras criaturas e utilizar essas formas ao longo da jornada. É uma proposta interessante e que conversa diretamente com a própria identidade do jogo.
A narrativa não é direta. Ela aparece principalmente por meio de diálogos com NPCs e descrições de equipamentos, algo que lembra bastante a forma como a FromSoftware constrói seus mundos. Os personagens falam em uma linguagem própria, mas todos os textos estão localizados em português, o que facilita acompanhar o que está acontecendo.

Ainda assim, é um tipo de história que exige atenção. Não espere explicações claras ou um roteiro que te guie o tempo inteiro. Ela vai se formando conforme você avança, e cabe ao jogador conectar os pontos.
No fim, funciona. Não é o principal atrativo, mas também não fica de lado. Está ali para quem quiser se aprofundar.
Combate cadenciado e os Moldes
Grime 2 segue um caminho diferente de outros metroidvanias mais rápidos, como Prince of Persia: The Lost Crown. O ritmo aqui é mais controlado, como em Mandragora, sem botão de corrida e com um foco maior em leitura de inimigos e posicionamento.

O grande destaque está no sistema de moldes. Durante o combate, muitos inimigos possuem uma barra específica que, ao ser quebrada, permite que você absorva habilidades daquele tipo de criatura. Esse processo não é imediato para uso permanente, o que incentiva repetir o enfrentamento contra determinados inimigos até dominar aquele molde.
Isso cria uma dinâmica interessante. Aos poucos, você monta um conjunto de habilidades que muda completamente a forma de jogar. Dá pra focar mais em defesa, usar parry com mais eficiência, criar armadilhas ou partir para um estilo mais agressivo.
Os moldes em Grime 2 se dividem basicamente em dois tipos. Os que você ganha ao enfrentar inimigos várias vezes precisam ser carregados durante o combate, então fazem parte direta da sua estratégia no momento da luta.

Já os moldes de itens funcionam de outra forma: são habilidades diferentes, que ficam sempre disponíveis, mas com usos limitados. Elas se recarregam nos pontos de descanso, chamados de Sucedâneos e, conforme você encontra mais desses itens escondidos pelo mapa, aumenta também a quantidade de vezes que pode utilizá-las antes de precisar recarregar.
Use o cenário como arma
Outro ponto que funciona bem é a interação com o cenário. Em vários momentos, o ambiente deixa de ser apenas pano de fundo e passa a fazer parte do combate. Empurrar inimigos contra espinhos, derrubar estruturas ou usar elementos do mapa a seu favor faz diferença real nas lutas.Mas, tome cuidado, o inimigo também usa o ambiente ao seu favor.
Esse conjunto de ideias dá personalidade ao combate e mantém o jogo interessante ao longo das horas.
Progressão que mistura boas ideias com falta de impacto
Grime 2 traz um sistema completo de evolução, como Vida, Força, Destreza, Divergência e Flexibilidade. É possível alternar entre armas mais pesadas, que causam mais dano, e opções mais rápidas ou de longo alcance, criando diferentes abordagens para o combate.
Cada arma escalona com um certo tipo de atributo, o Machado, por exemplo, você precisa ter uma quantidade “X” de força para usá-lo e assim por diante.

As armaduras também têm seu papel, principalmente quando você decide montar conjuntos completos, já que isso libera bônus específicos. Essa parte incentiva experimentar e pensar na build de forma mais estratégica.
Além disso, o jogo trabalha com recursos como o Átrio, usado como moeda, e materiais específicos para melhorias. As armas evoluem com itens próprios chamados de Raiz Sangrenta, enquanto as armaduras são melhoradas com Fios. Esses itens são encontrados escondidos pelo cenários ou comprados com NPC’s.

A mecânica de Fôlego, por exemplo, substitui a cura tradicional. Você precisa atacar e derrotar inimigos para encher essa barra e, só então, recuperar vida com o R2 no PlayStation. Isso mantém o jogador ativo o tempo todo e evita um ritmo mais passivo.
Também existe a barra de Ímpeto, que funciona como estamina, mas com um detalhe importante: existe um ponto ideal onde o dano é maior. Saber controlar isso durante o combate faz bastante diferença, principalmente contra inimigos mais fortes.
O problema aparece quando falamos dos atributos básicos. Evoluir força e vida não traz uma sensação clara de progresso. Mesmo investindo nesses pontos, o impacto no gameplay é pequeno, o que enfraquece o senso de evolução ao longo da jornada.
Um pico de dificuldade absurdo
Existem dois tipos de modo de dificuldade aqui: o modo Padrão, o qual fechei o título e o modo História, o qual possui um nível menor de desafio.

A dificuldade de Grime 2 começa de forma equilibrada. Você morre, aprende padrões e segue em frente. Esse ciclo funciona bem nas primeiras horas.
O problema é quando o jogo decide aumentar esse nível de desafio de forma “maluca”. Existe um momento específico da campanha em que a dificuldade sobe de maneira considerável, especialmente em áreas mais avançadas do mapa.
A partir daí, o jogador enfrenta grupos de inimigos com padrões mais exigentes, cenários que exigem muita precisão de plataforma, usando várias habilidades ao mesmo tempo. Tudo isso enquanto o dano recebido continua alto, mesmo com o personagem evoluído.

A ausência de um atributo de defesa pesa bastante nesse ponto. Não importa quanto você invista em vida, alguns inimigos ainda conseguem eliminar o personagem em poucos golpes.
Isso não torna o jogo inviável, mas muda completamente o ritmo. O que antes era aprendizado passa a exigir precisão absurda, o que pode afastar quem não está buscando esse nível de desafio.
Exploração consistente dentro do gênero
Mesmo com esses problemas, a estrutura de metroidvania funciona bem. O jogo libera habilidades aos poucos e incentiva revisitar áreas antigas, algo essencial para o gênero.
A possibilidade de marcar pontos no mapa ajuda bastante na organização da exploração. Sempre que você encontra um caminho bloqueado, dá pra sinalizar e voltar depois com novas habilidades.
Os trechos de plataforma seguem a mesma linha do restante do jogo: exigentes, mas recompensadores. Existem momentos em que você precisa combinar várias habilidades para avançar, e quando tudo encaixa, a sensação de progresso é muito boa.
Alguns ajustes melhorariam a exploração
A exploração em Grime 2 funciona bem dentro da proposta do gênero, mas traz algumas decisões que acabam atrapalhando o fluxo do jogador, principalmente nas áreas mais avançadas.
O principal problema está na forma como a viagem rápida é liberada. Encontrar um Sucedâneo não é suficiente para ativar o fast travel naquele ponto. Para isso, ainda é necessário descobrir estruturas específicas no mapa que liberam a visualização da área. Só depois disso o deslocamento rápido fica disponível.

Na prática, isso quebra o ritmo. Em mapas que já são difíceis por natureza, você avança, encontra o ponto de descanso, mas ainda não pode usá-lo como referência de viagem. Se precisar sair dali para melhorar equipamentos ou reorganizar a build, vai ter que retornar por outro ponto mais distante e refazer parte do caminho depois.

Outro detalhe que pesa é a distribuição dos NPCs. Eles ficam espalhados entre diferentes cidades e nem sempre próximos dos pontos de viagem rápida. Como o jogo tem um ritmo mais cadenciado, esse vai e volta constante acaba ficando mais cansativo do que deveria.
Centralizar melhor esses NPCs ou aproximá-los dos pontos de viagem rápida já ajudaria bastante. Da mesma forma, liberar o fast travel assim que o jogador encontra um sucedâneo tornaria a progressão mais fluida, sem diminuir o desafio do jogo em si.
Um dos visuais mais marcantes do gênero
Se tem algo que chama atenção em Grime 2 desde o início é o visual. O jogo não busca realismo, mas compensa isso com uma direção artística muito forte.
Os cenários são variados, criativos e cheios de identidade. Em vários momentos, o jogo desacelera naturalmente só para que você observe o ambiente. Existem transições bem construídas entre áreas, principalmente quando o cenário se abre após um trecho mais fechado.




Tecnicamente, o desempenho se mantém estável. Pequenas quedas podem acontecer em transições, mas nada que comprometa a experiência de forma relevante. Durante toda a jogatina, também não surgem problemas de bugs que atrapalhem a progressão.
Trilha sonora competente, mas nem sempre alinhada
A trilha sonora é agradável e funciona bem na maior parte do tempo. O problema aparece em alguns momentos específicos, quando o tipo de música não combina com o que está acontecendo na tela.
Existem áreas com muitos inimigos e desafios mais exigentes em que a trilha mantém um tom mais calmo. Isso não chega a atrapalhar diretamente, mas causa uma leve desconexão.
Já os efeitos sonoros cumprem bem seu papel e ajudam no feedback das ações durante o combate.
Review de Grime 2 – Vale a pena?
Finalizo esta review de Grime 2 cravando que ele é um jogo com boas ideias e identidade própria dentro do gênero. O sistema de moldes, o uso do cenário como arma, mostram um cuidado em oferecer algo além do básico.
Por outro lado, o equilíbrio da dificuldade e a progressão de atributos acabam limitando um pouco a experiência. Em alguns momentos, o jogo exige mais do que entrega em termos de evolução do personagem.
Ainda assim, para quem gosta de metroidvanias mais desafiadores e com foco em um combate mais cadenciado, ele entrega uma experiência muito divertida.
Para quem busca os 100%, o game pode chegar as 25 horas de duração, com facilidade. Eu fechei em 20 horas e não fiz o mapa por completo. Se você gostou do primeiro Grime, lá de 2021, vai adorar esse aqui, sem sombra de dúvidas.
Grime 2 chega para PlayStation 5, Xbox Series e PC no dia 31 de março de 2026.
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Um belo e desafiador metroidvania
Grime 2 é aquele tipo de jogo que dá pra ver claramente o quanto ele tem personalidade. Ele não tenta seguir exatamente o padrão do gênero, e isso aparece principalmente no combate, no uso dos moldes e na forma como o cenário participa das lutas. São ideias que funcionam e que, em vários momentos, deixam a experiência bem envolvente.
Ao mesmo tempo, ele também é um jogo que cobra bastante do jogador, às vezes até mais do que deveria. O pico de dificuldade no meio para o final quebra um pouco o ritmo e, somado a uma progressão de atributos que não acompanha esse aumento, pode gerar uma sensação de injustiça em alguns trechos.
Ainda assim, quando tudo encaixa, combate, exploração e domínio das habilidades, o jogo entrega momentos muito bons. É aquele tipo de experiência que recompensa quem insiste, aprende os sistemas e se adapta.
O que Grime 2 faz de melhor
- Sistema de moldes traz variedade real ao combate
- Uso do cenário nas lutas adiciona estratégia
- Boa variedade armas e habilidades
- Visual muito marcante, com direção artística forte
- Exploração bem construída dentro do estilo metroidvania
- Combate mais cadenciado
Poderia ser melhor
- Pico de dificuldade desbalanceado do meio para o final
- Progressão de atributos deveria ser mais ajustado no gameplay
- Dano dos inimigos pode parecer exagerado em vários momentos
- Alguns sistemas na exploração deveriam ser melhor trabalhados, como a viagem rápida
- Narrativa
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de Arte
- Som
