Depois de tantos anos de teorias, vídeos, mistérios e capítulos cada vez mais ambiciosos, fica até difícil entrar em um novo episódio sem carregar uma mochila cheia de expectativas quando falamos sobre Poppy Playtime. E geral já sabe que sou consolista, então tive que esperar um tempo antes de finalmente jogar o capítulo 5 dessa franquia.
Broken Things, como a Mob Entertainment chamou Chapter 5, conseguiu me surpreender bastante, principalmente por entender muito bem onde a série funciona melhor: muita perseguição, lore brutal disfarçada de história infantil, criaturas muito carismáticas e aquele terror de brinquedo amaldiçoado que parece simples na superfície, mas não deve ser subestimado de forma alguma.
Joguei a versão de PS5, que chega nesta semana, e preciso começar falando logo do que mais me chamou atenção: o jogo está muito bem otimizado. Poppy Playtime Chapter 5 roda de forma bem estável, tem carregamentos rápidos, mantém uma boa fluidez durante as sequências mais dinâmicas e, visualmente, entrega uma apresentação muito caprichada.
Considerando o quanto esse capítulo exige em cenas de perseguição, áreas maiores, efeitos de luz, ambientes escuros e personagens gigantescos atravessando corredores, a experiência no console foi bem positiva, em termos gerais.
Não é um jogo perfeito, claro. Ainda existem comandos imprecisos usando o joystick, principalmente em momentos que exigem muita velocidade, mira rápida com o GrabPack ou troca de ferramentas sob pressão. Além disso, encontrei alguns bugs de colisão. Mas nada disso chegou a me frustrar muito. No fim, o saldo é bem mais positivo do que negativo.
E sim, tenho bastante coisa pra te contar, porque Poppy Playtime Chapter 5 talvez seja um dos capítulos mais interessantes da série até agora.
Fuja sem olhar pra trás
Broken Things começa exatamente de onde o capítulo anterior terminou. Huggy Wuggy está de volta, furioso, batendo contra uma porta como se fosse só questão de tempo até aquilo virar um problema muito maior. E, obviamente, vira. Em poucos segundos, o jogo já te joga em uma perseguição, algo que busca resgatar elementos muito familiares pra quem é fã de longa data da franquia.
A abertura é excelente porque faz duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro, ela te coloca imediatamente em estado de alerta. Segundo, ela funciona quase como um tutorial, relembrando controles, movimentação e uso das ferramentas de forma bem mais cinematográfica. E olha, esse daqui certamente é o jogo mais cinematográfico da franquia, em todos os sentidos.

Depois disso, o jogo te leva ainda mais fundo nas instalações da Playtime Co., agora com um foco maior em estruturas internas que contam como aquela empresa foi longe demais. O colorido infantil continua existindo, óbvio, assim como as muitas referências a brincadeiras de criança, mas eles aparecem cada vez mais contaminados por um mal por essência.
A história aqui também é bem forte. Sem entrar em spoilers, Chapter 5 entrega revelações importantes, trabalha melhor alguns personagens antigos e finalmente coloca o Protótipo em uma posição de destaque. Depois de tanto tempo sendo tratado como uma presença distante, quase uma espécie de lenda ali dentro, ele aparece como uma ameaça muito mais assustadora do que muitos outros monstros que apareceram em toda a franquia.

O mais legal é que o jogo não apela só pra jumpscares pra criar esse clima. Muito pelo contrário, por sinal. O jogo talvez seja o mais parado nesse sentido, sugerindo muita coisa e investindo bem mais em puzzles ambientais, com fitas, documentos, desenhos escondidos, diálogos e mais detalhes dando mais substância pra essa narrativa de terror.
Uma série de acertos técnicos
Um dos grandes acertos desse capítulo está na apresentação. Poppy Playtime Chapter 5 é um jogo bonito, mas não só no sentido técnico. Ele tem direção visual, sabe quando usar elementos do gênero e quando transformar uma sala aparentemente comum em algo completamente desconfortável.
No PS5, a qualidade visual chama bastante atenção. Os modelos dos personagens estão muito expressivos, as animações passam uma sensação muito convincente, e os ambientes têm muitos detalhes espalhados. Há sempre algum elemento visual contando uma pequena história no fundo, já que nada ali é de graça.

A ambientação também ajuda muito. Você pode entrar em uma sala cheia de objetos infantis e, dois segundos depois, perceber que tudo ali faz parte de algum experimento bizarro, meio que quebrando a quarta parede e fazendo referências distópicas a jogos como BioShock e Prey.
Outro ponto que merece destaque é a dublagem em português do Brasil. A atuação em PT-BR está muito boa, com vozes realmente impactantes e condizentes com as personalidades dos bonecos. E, em um jogo tão dependente de história, especialmente quando falamos de apresentação de conceito, ter essa localização faz toda a diferença ali. Um baita acerto pra equipe que cuidou disso, porque olha… me surpreendeu no primeiro segundo.

A mixagem de som também é muito boa. Barulhos distantes, máquinas funcionando, passos, portas, ruídos de brinquedos e trilhas mais discretas funcionam muito bem ali, principalmente se você jogar de headset.
Acessível, mas nem tanto…
Em termos de jogabilidade, Poppy Playtime Chapter 5 mantém a base que a franquia já vinha usando. Você explora áreas lineares, resolve quebra-cabeças, usa ferramentas específicas, coleta documentos, encontra fitas e foge de criaturas que claramente não querem muita conversa. Quer dizer, nem todas…
A diferença é que este capítulo parece mais variado. Logo no começo, você fica sem o GrabPack e precisa lidar com Glowby, uma espécie de companheiro luminoso que funciona como lanterna, luz negra e reprodutor de áudios.

A luz negra, principalmente, é muito bem usada. Ela revela mensagens escondidas, pistas visuais, desenhos e detalhes que ajudam tanto nos puzzles quanto na construção do mundo. Isso incentiva o jogador a observar mais os ambientes e explorar mais os cenários, estimulando até mesmo quem não gosta de sair caçando documentos ou áreas secretas.
Depois, quando o GrabPack volta, o jogo começa a expandir as possibilidades com novas mãos e novas formas de interação. Há mecânicas de pressão, condução de energia, manipulação de elementos e movimentos adicionais que deixam os puzzles mais dinâmicos e inteligentes. Nem todos são geniais, mas muitos têm aquela sensação boa de “eu entendi agora”.

E essa é uma das grandes virtudes de Chapter 5. Ele tem puzzles frequentes, alguns mais simples, outros mais elaborados, mas quase sempre com uma lógica clara. O jogo raramente parece injusto e, quando você trava, é porque deixou passar algum detalhe no cenário ou ainda não entendeu a ordem das coisas.
Por outro lado, a adaptação desses comandos ao joystick nem sempre é perfeita. Em alguns momentos, trocar mãos, mirar em pontos específicos, puxar objetos ou reagir rapidamente durante uma perseguição pode parecer menos preciso do que deveria, e isso aparece principalmente quando o jogo exige uma leitura mais instintiva e menos scriptada dos próximos passos.

Também encontrei alguns bugs de colisão. Nada absurdo, mas o suficiente pra incomodar de vez em quando. São falhas pontuais, mas merecem ser citadas porque aparecem justamente em um jogo que depende bastante de movimentação e das ações por impulso.
Bem contra o mal
As perseguições são, sem dúvida, um dos maiores destaques de Poppy Playtime Chapter 5. E aqui o jogo manda muito bem. Temos sequências com Huggy Wuggy, momentos sinistros com outros personagens e até mesmo umas sequências bem mais longas do que se esperava. Nada de só correr em linha reta, por sinal, e o jogo é até que generoso em te dar esse tempo pra resolver as coisas.
Mais pra frente, o jogo também brinca com perseguições menos óbvias, incluindo momentos de furtividade e uso de distrações. Algumas dessas partes são excelentes porque quebram os padrões da franquia, mas a IA do Huggy pode deixar a desejar. Então a seção é boa, mas bem menos exigente do que deveria ser.

É claro que nem tudo funciona perfeitamente. Algumas perseguições podem parecer um pouco na base da tentativa e erro, algo impactado principalmente pela lentidão dos comandos, especialmente na troca entre as ferramentas. Ainda assim, como os checkpoints são bons e o jogo normalmente te devolve perto da ação, a frustração não é demais, caso a gente trate como exceção os tempos de carregamento, que poderiam ser melhores.
A acessibilidade também merece destaque. Poppy Playtime Chapter 5 chega com muitos recursos de acessibilidade, e isso é excelente. O jogo já é bem menos assustador que seus antecessores, e algumas funcionalidades de qualidade de vida deixam tudo mais ajustável e confortável.

E, sinceramente, isso combina com a própria evolução da franquia. A série cresceu muito, e não apenas nas redes sociais, mas também em sua proposta. Ficou mais complexa, ganhou mais público e agora precisa conversar com mais tipos de jogadores. Nesse sentido, Chapter 5 mostra um cuidado bem maior.
E isso importa muito, porque a lore de Poppy Playtime é uma das principais razões para continuar jogando. Broken Things entrega respostas, mas também cria novas perguntas. Ele fecha alguns arcos e provoca outros, dando brecha pra um futuro até mesmo brilhante e com mais histórias a serem exploradas.
Poppy Playtime Chapter 5 leva franquia para seu ápice
Poppy Playtime Chapter 5 é um capítulo muito forte e rico em conteúdo. Ele não reinventa a franquia, mas refina várias coisas que já funcionavam e adiciona ferramentas suficientes pra deixar as coisas mais variadas. A história avança, os personagens ganham bons momentos, a atmosfera continua sinistra e as sequências de perseguição estão entre os grandes destaques do jogo.
A dublagem em português do Brasil é excelente e merece elogios. A otimização no PS5 também surpreende positivamente. Além disso, os recursos de acessibilidade são bem completos e mostram uma preocupação importante com diferentes perfis de jogadores.
Por outro lado, os comandos com joystick poderiam ser mais precisos, principalmente nas partes mais rápidas. Alguns bugs de colisão também aparecem e quebram um pouco a fluidez em momentos específicos, mas muito raramente. Nada de preocupante aqui. Além disso, certas perseguições ainda caem na lógica de tentativa e erro, algo impactado pelos problemas de ergonomia.
Mesmo com esses problemas, Poppy Playtime Chapter 5 entrega uma experiência muito boa. É um jogo que respeita a lore construída até aqui e mostra que a franquia ainda tem força pra continuar crescendo, agora com potencial pra explorar até mesmo uma apresentação mais completa, com CGIs incríveis e fluxo narrativo bem contado.
Se você já acompanha Poppy Playtime, esse capítulo é praticamente obrigatório. E, se você vai jogar no PS5, pode ir com boas expectativas, porque a versão chega bem otimizada, bonita e muito agradável de jogar, mesmo com alguns tropeços nos controles.
Poppy Playtime Chapter 5 prova, mais uma vez, que essa franquia ainda sabe prender a atenção. Os mascotes da Playtime Co. tão com tudo e, pelo jeito, a fábrica ainda tá longe de terminar de contar seus segredos.
Episódio mais recente da popular franquia de mascotes, Poppy Playtime Chapter 5 chega aos consoles com uma aposta narrativa e cinematográfica mais ousada, bem como com mudanças que devem agradar fãs de longa data.
Pontos positivos
- Dublagem em português do Brasil absurdamente boa
- Mecânicas inéditas que acrescentam bom dinamismo
- Apresentação bem mais cinematográfica
- Campanha mais longa da franquia
- Bons momentos de perseguição
- Personagens muito carismáticos
Pontos negativos
- Algumas falhas de colisão
- Imprecisões nos controles
- Tempos de carregamento poderiam ser melhores
- História
- Jogabilidade
- Som
- Gráficos
- Desempenho